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13/09/2018 às 09h27 > atualizado em 13/09/2018 às 13h43

Túlio Vargas – um intelectual na Assembleia Legislativa

Por Vanderlei Rebelo

Filho do deputado Rivadávia Vargas, que assinou a Constituição Estadual de 1947, descendente de chefes políticos da região de Piraí do Sul, sua cidade natal, e bisneto do líder maragato Telêmaco Borba, Odilon Túlio Vargas (1929-2008) sabia desde jovem que tinha um encontro marcado com a política. “Na minha casa, a gente almoçava e jantava política”, ele recordaria numa entrevista ao jornalista José Wille, em setembro de 1997.

Túlio Vargas disputou a primeira eleição em 1962, mas sua experiência pessoal e profissional nos quinze anos anteriores moldou uma trajetória que iria além dos limites da vida partidária e eleitoral. Ao chegar a Curitiba em 1947, aos 18 anos, começou a trabalhar como locutor esportivo na Rádio Clube, mais conhecida então como PRB 2 – a única emissora existente na cidade. Logo o governador Moysés Lupion fundaria a Rádio Guairacá, para a qual Túlio se transferiu.

Iniciou o curso de Direito na Universidade Federal do Paraná e, além do emprego no rádio, passou a escrever no jornal Paraná Esportivo. Graduado em 1954, radicou-se em Maringá, onde montou uma banca de advocacia. “Tinha ambições maiores e entendi que, indo para o interior, encontraria um campo mais fértil para a realização da minha vocação política”, diz ele na entrevista já citada. 

Segundo um testemunho do jornalista João Féder (1930-2013), cuja amizade Túlio cultivou ao longo de décadas, o jovem advogado teria dito antes de partir: “Vou para o Norte do Paraná e só volto deputado”.

Sua chegada a Maringá coincidiu com a grande geada de 1955, que gerou grave crise e desencorajou negócios. Mas Túlio perseverou, conquistou clientes atuando no Tribunal do Júri e ficou conhecido em vários municípios da região (Mandaguaçu, Ourizona, Paiçandu etc.), que percorria de jipe com um longo par de botas – não havia uma única estrada asfaltada no Norte do Paraná daqueles tempos de desbravamento de novas fronteiras. 

A amizade com o prefeito de Maringá, João Paulino Vieira Filho, eleito em 1961, abriu-lhe as portas para a política. Túlio Vargas filiou-se ao PDC e em 1962, apoiado pelo prefeito, elegeu-se para seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa do Paraná. Em 1965, depois de consultar prefeitos aliados, decidiu apoiar a candidatura de Paulo Pimentel governador (embora sua preferência pessoal fosse pelo nome de Affonso Camargo) e em 1966 – agora filiado à Arena, o partido criado no ano anterior para dar sustentação ao governo militar – foi reeleito para um novo mandato de deputado estadual.

Em meio às atribulações da política, sempre arranjava algum tempo para seu hobby particular – a leitura de biografias. Neste período como deputado na Assembleia Legislativa, Túlio esboçou as primeiras páginas de sua biografia do personagem histórico que mais o fascinava: Ildefonso Pereira Correa, que entrou para a história como o Barão do Serro Azul.

Lançado em 1972, quando Túlio Vargas já exercia seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados, A Última Viagem do Barão do Serro Azul reconta a vida de Ildefonso Pereira Correa e seus derradeiros dias antes de ser fuzilado pelas forças legalistas. O Barão foi sumariamente executado às margens da estrada de ferro que liga Curitiba a Paranaguá em 20 de maio de 1894, acusado de ter colaborado com os revoltosos maragatos durante a Revolução Federalista. O livro teve várias reedições e em 1999 inspirou o roteiro do premiado filme O Preço da Paz, do diretor Paulo Morelli, em que o Barão é revivido pelo ator Herson Capri.

Reeleito deputado federal em 1974, Túlio abriu mão do mandato para exercer o cargo de secretário da Justiça, a convite do então governador Jayme Canet Júnior. Quatro anos depois foi candidato ao Senado, mas perdeu as eleições para José Richa, o candidato do oposicionista MDB, num momento em que o regime dava sinais evidentes de desgaste.

Ele ainda exerceria funções públicas no segundo governo de Ney Braga (1979/1982). Contudo, passaria a dedicar cada vez mais do seu tempo à pesquisa histórica e a escrever perfis biográficos de personagens paranaenses. Foram mais de vinte títulos publicados nos anos seguintes.

Zacarias de Góis e Vasconcelos – o primeiro presidente da Província do Paraná, em 1853 –, o historiador David Carneiro e Telêmaco Borba foram alguns de seus biografados.

Assumiu em 1994 a Presidência da Academia Paranaense de Letras, em que permaneceu até a sua morte, em março de 2008, aos 78 anos.

 

 



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